5 de nov de 2014

E ela acordou...



Então ela acorda. Mais um turbilhão de pensamentos que poderiam ser evitados com um daqueles degustáveis punhados de remédio para dormir. Liga a televisão, mais um turbilhão de problemas para assistir. Ela entra numa conversa rotineira, deixando escapar mais um turbilhão de palavras vazias que ecoam os sons do silencio.

Presa numa neblina tragável de um cigarro barato, zumbi feliz, caminhando em direção do injustificável. E a esperança parece uma palavra longa demais para ser absorvida, para ela esse é apenas mais um dia agonizante que irá dilacerar todas aquelas velhas feridas.

Talvez depressiva, talvez covarde demais para encarar a legitimidade do sofrimento. Empanturrando o cérebro com autores cultuados, tenta ser blasé, deixando os velhos hábitos que são um tanto quanto démodé de lado. Sim, dependente química, fugindo das frustrações com mais uma dose de alguma porcaria, embriagando-se  de frustrações, esbaldando-se nas decepções.

Meio complicado, pensamento atordoado, dor mais do que justificável. Na seleção natural ela perde por não aguentar tamanha racionalidade, morre por Darwin já que é incapaz de conviver com tantas verdades. A menina era meio louca, proclamava discursos marxistas com sua voz rouca, vivia da hipocrisia e chorava via iPhone as dificuldades subsaarianas e toda aquela velha ladainha.

Escrava das doenças que corroem o mundo moderno, egoísta e mimada, chorando sem lágrimas e pedindo para o psiquiatra dopá-la através de berros. Vítima da contemporaneidade, lendo textos bonitos e tentando compor algo que conseguisse exemplificar todas aquelas ocultas tempestades que eram protagonistas de pensamentos profundos.

Devaneios óbvios, mais do que claros. Ansiedade perceptiva, atestada pelas unhas extremamente roídas. Verdade doída. Sim, ela acordou, despertou para mais um dia duro da realidade, onde só havia espaço para a saudade dos tempos onde havia esperança, ou ao menos saudades do tempo em que ela estava ilúcida o suficiente e que podia ignorar o fato de estar inevitavelmente participando dessa louca dança. 
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