11 de nov de 2014

Violência urbana: Profissão bandido



O que vale mais a pena afinal? A árdua vida de trabalho, que garante ao excluído da sociedade apenas o necessário, ou a vida do crime, cheia de contradições, com dinheiro fácil, mas um final não muito feliz. Bem, esse é o dilema de muitos jovens brasileiros, que necessitam optar entre esses dois caminhos antagônicos.

Não é segredo o fato de que urbanização brasileira, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, foram precárias. Com a intensa vontade de ``limpar`` o país para adquirir investidores, famílias com pouco poder aquisitivo foram sendo expulsas dos arredores dos cartões postais dessas grandes cidades (muitas vezes através de incêndios criminosos) e logo após foram amontoadas em morros e favelas.

Com baixíssimas oportunidades de crescimento econômico, mas imensa vontade de poder pertencer a sociedade de consumo, indivíduos marginalizados desenvolveram demasiado revanchismo em relação ao Estado. O descaso do governo, somados a precariedade habitacional, além das contantes cobranças do ''ter'' conseguiram fermentar grande ódio e vontade de vingança em alguns cidadãos desfavorecidos.


O crime apareceu como opção vantajosa para o crescimento econômico daqueles que provavelmente teriam uma vida modesta e repleta de desventuras, afinal, vivemos numa sociedade viciada em poder e prazer, e o dinheiro é a porta de entrada para essas duas coisas. A profissão bandido passou a agregar valores e status dentro das comunidades.

Durante a década de setenta o narcotráfico penetrou com força no Brasil e somado aos grandes assaltos e assassinatos ficou evidente o avanço da violência urbana e a incapacidade da polícia de fazer valer o pacto social. Numa cultura maniqueísta, o mal começou a ser representado pelas figuras de repreensão estatal, enquanto moleques marginalizados encontraram nos traficantes um exemplo de como conseguir poder e luxo.

Dessa maneira foi se espalhando o caos urbano nas comunidades. Facções opostas acabaram disputando o poder dentre a terra de ninguém que eram as favelas brasileiras e impondo um sistema de leis único e independente da Constituição Brasileira.



Em meio a esse caos, haviam também aqueles que buscavam trilhar os caminhos da legalidade, buscando uma vida melhor. Reféns da instabilidade e do crime, essas pessoas possuem condições mínimas de oportunidades, além de culturalmente serem marginalizadas. A discrepância social é evidente e é dura a escolha de seguir cumprindo o papel de cidadão, aceitando o possível trabalho braçal e todas as dificuldades remanescentes da pobreza.

Um país construído por meio de gambiarras não teve a capacidade de glorificar os esforçados e punir com severidade os infratores que na verdade são apenas vítimas de um sistema falho. A marginalidade parece uma opção atrativa que pode oferecer uma igualdade de fato, diferente das mentiras assistencialistas que buscam mascarar a pobreza.

Bandido quer casa, ladrão quer comida, traficante quer mulheres bonitas e um carro do ano, todos almejam viver de acordo com o sonho americano, aproveitando as mazelas consumistas. Porém com a discrepância social recorrente no Brasil fica difícil manter o status exigido pelo mundo atual, sem apelar para meios ilícitos de adquirir dinheiro.

Assim, a violência urbana vem crescendo de maneira alarmante. Os que querem fugir da criminalidade, sofrem, vítimas da insegurança e instabilidade proveniente das disputas do tráfico e dos assaltos que ocorrem constantemente. A credibilidade da polícia está em baixa, os crimes são cada vez menos denunciados e a sensação de impunidade cresce. Os naturalmente sofredores, nascidos as margens da sociedade, estão inevitavelmente ligados a tragédia, com algumas raras exceções que despontam economicamente.



A situação brasileira é precária. As origens dos problemas nacionais remetem a décadas atrás e a solução parece algo distante. Bandidos não abrem mão dos luxos provenientes da criminalidade, foram induzidos a isso. O marginal está cheio de ódio, sede de vingança e só se sente respeitado com uma pistola na mão. Aqueles que optaram pela criminalidade desacreditam do poder dos livros e querem apenas um juiz ajoelhado implorando para não sentir o calibre da pistola (Isso aqui é uma guerra, facção central).

Como diria o velho rap, a fome virou ódio e alguém tem que sangrar. Não tem conversa, o crime é lucrativo e parece ser uma alternativa para os aflitos e mal condicionados. A profissão bandido pode garantir todos aqueles sonhos expostos na televisão, pode ajudar alguns a se safarem do desespero e virou algo normal optar pela corrupção.

Atualmente as soluções para o caos urbano, enraizado nas grandes cidades brasileiras, parece uma utopia. A polícia armada e mal remunerada se alia a bandidagem e o sentimento de impunidade apenas faz crescer a segurança daqueles que optam pelo crime. Historicamente oprimidos, os marginais agora fazem valer uma lei independente, lutando de maneira precipitada e imatura contra a formação brasileira. A redistribuição de renda está acontecendo, trazendo novos problemas e novas desigualdades. Os Robin Hoods canarinhos agora querem adentrar aos dogmas do consumo e estão obtendo sucesso nessa investida, já que conseguiram transformar o crime numa atitude lucrativa. Mas no final, até mesmo os ``rebeldes`` do crime são apenas mais alguns gados caminhando em direção do abatedouro.


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