16 de ago de 2015

Sociedade miojo



 Entre tragos, mordidas e goles num destilado, percorrem pela vida corações aflitos e cansados. Monotonia constante, reféns da agonia, buscam nos prazeres alguma sensação que dê sentido a rotina.

 Pra pelada é uma cerveja e para transa um comprimido. Nada é natural, são apenas pessoas movidas por ações mais artificiais do que um refrigerante sabor uva.

  Num mundo onde tudo é programado, passam tantos que acreditam possuir algo especial, e se arrastam tantos outros com tédio, dispersos e dominados pelo caos.
  
  Existências banais que sobrevivem através de qualquer químico disponível. Overdoses de sei lá o que funcionam como incentivo.

  O sorriso é do anti-depressivo, fica-se gordo de Biotônico pra depois emagrecer de Sibutramina. São feitas loucuras para se adequar aos sonhos lançados pela mídia.

  Ninguém quer realmente ser, ninguém consegue autenticidade ao sentir, passam pelo dia-a-dia sujeitos calados que querem arranjar um adjetivo adequado para se encaixar.

  Sobrevivem como zumbis tantos joões e marias, que se apegam tanto faz, gritando em silêncio e engasgando com as palavras contidas. 

  É a sociedade do miojo, consumida pela correria. Onde os atos são ensaiados e o que não segue o roteiro fica dopado, até sucumbir ao correto da maioria.
  


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